Ruy Siqueira #2

Clicar na imagem para ver em tamanho maior

Conheci pessoalmente o Ruy dias antes do lançamento do seu livro “Agarrado à Vida” (edição Prime Books, Novembro de 2006). Ouvi-o cantar (confesso, fez-me lembrar desde logo o Bob Dylan) e apreciei especialmente a sua excelente técnica como guitarrista. Trazia consigo um exemplar do livro (só a capa porque no interior era o do José Mourinho…) e, naturalmente, a conversa fluiu. Convidou-nos para o lançamento que iria decorrer na Doca do Espanhol em Alcântara e aqui há um pormenor curioso e de acordo com o nosso habitual “despistanço” – o convite indicava o dia 13 de Novembro, segunda feira, e vá-se lá saber porquê nós convencemo-nos que era na terça feira. Seguimos para lá, apanhámos uma tremenda confusão no trânsito na Avenida de Ceuta e sendo a cerimónia às 19 horas chegámos à Doca do Espanhol por volta das 21 horas já convencidos que toda a gente se tinha ido embora entretanto. Mais convencidos ficámos quando não vimos nem um carro e nem uma pessoa no referido restaurante à excepção dos empregados. Por descargo de consciência perguntámos a uma empregada se não era ali o lançamento do livro do Ruy Siqueira e qual não é o nosso espanto quando a senhora, mirando-nos com ar de quem vê um par de extraterrestres, diz “mas isso foi ontem”. Lá olhámos para o convite – será que a data está mal no convite? não estava, claro – e simultâneamente envergonhados e com uma vontade de rir enorme viemo-nos embora. Quase duas horas parados na Avenida de Ceuta para aquilo… é obra.

Passados dias inaugurei a minha exposição de fotografia no “Inda a Noite é uma Criança” e o Ruy esteve presente trazendo alguns exemplares do seu livro para em simultâneo fazer uma sessão de autógrafos e, já agora, cantar. Ficámos com não um mas dois exemplares do livro (outro episódio de despistanços mas que ia demorar a contar).

O livro despertou-me a curiosidade e resolvi explorar o que havia sobre o Ruy na net e não me espantou quando cheguei à conclusão que quase tudo o que se encontrava sobre ele passava a imagem de “um-menino-de-famílias-ricas-da-linha-do- Estoril-que-passou-uma-série-de-anos-drogado-e-que-se-conseguiu-libertar-dessa-situação”. Telenovela TVI. Confesso que acabei por comprar essa imagem. Afinal também cresci na linha, frequentei o Liceu de Oeiras, ele o de S. João do Estoril, e casos como o dele não são raros com a diferença de infelizmente muitos terem desfechos trágicos.

À medida que fui conhecendo melhor o Ruy percebi que há muito mais na vida dele do que aquilo que passa cá para fora. E embora ele não renegue nada daquilo que viveu (e que relatou no seu livro) há todo um trabalho realizado em diversas áreas – música, representação, pintura – e pouco ou nada disso é referido. Decidi por isso publicar alguma informação sobre essas facetas desconhecidas do Ruy Siqueira, informação essa que irá saindo à medida que os dados que preciso forem surgindo.

Páginas: Ruy Siqueira

~ by Dionisio Leitão on March 2, 2007.

 
%d bloggers like this: