Andrew Keen vs. a Internet

“Em vez de criar obras-primas, estes milhões e milhões de macacos exuberantes (…) estão a criar uma infinita floresta digital de mediocridade.”

“Os blogues (…) minaram o nosso sentido do que é verdadeiro e falso, do que é real ou imaginário.”

“Seríamos mais pobres se, em vez de 70 milhões de blogues, não tivessemos nenhum?”

Andrew Keen in “the cult of the amateur” – how today’s internet is killing our culture

Eu concordo com esta visão da Internet e dos blogues (e antes que alguém o diga também me incluo, sem problemas, entre os visados) mas admito que a grande maioria dos seus utilizadores não tenha a mesma opinião. Por isso, excepcionalmente, este post fica aberto a comentários.

~ by Dionisio Leitão on August 1, 2007.

2 Responses to “Andrew Keen vs. a Internet”

  1. Se esses “milhões e milhões de macacos exuberantes” não estivessem distraídos a criar mediocridade digital, estariam entretidos a criar outro tipo qualquer de mediocridade. Ou pior, estariam a apreciar a mediocridade de terceiros. Pelo menos assim sempre têm algum espírito de iniciativa.

    Eu não concordo com esta visão. Em primeiro lugar porque acho que os blogues não foram feitos para serem brilhantes, mas para reflectirem as ideias, criatividade, opiniões, gostos (ou falta deles) dos seus autores. Só vê blogues quem quer, sendo perfeitamente possível navegar na internet sem consultar um único blog. A mim choca-me mais a mediocridade que se vê, lê e ouve nos meios de comunicação social. Porquê? Porque tem um blog quem quer, mas poucos são os que têm acesso à TV, rádio ou jornais. Porque são poucos os blogues que são lidos por mais de meia duzia de pessoas, enquanto que os “media” atingem e influenciam milhões de pessoas. Porque um blog não está sujeito a pressões económicas, negociatas obscuras, influências políticas, e se o estiverem facilmente identificamos os seus beneficiários. Já nos “media” tudo se negoceia, e quase tudo se vende.

    No meu caso pessoal, só pelo facto de me ter permitido conhecer e aprofundar relações com algumas pessoas (como por exemplo tu e a Fernanda) valeu a pena ter um blog, e vale a pena continuar a alimentá-lo.

    Penso eu de que…

  2. Ora viva Charraz. Temos andado um bocado afastados nestes últimos tempos, não te temos ido ver (mea culpa) e preciso de dar um jeito nisso.

    Fiquei contente por teres manifestado a tua opinião sobre este assunto. Esperava por isso e calculava que não concordasses. Mas vejamos:

    Os blogues foram, de facto, criados para permitir ao “comum dos mortalecos”, desde que tenha acesso à net e tempo para o fazer, exprimir a sua criatividade seja ela a que nível for – poesia, prosa, crítica política, literária, fotografia, pintura… whatever. Como já por cá ando há uns anitos conheci alguns dos primeiros (portugueses, bem entendido) e que, esses sim, aproveitavam essa oportunidade para mostrarem, divulgarem, darem a conhecer, o que quiseres, aquilo que criavam ou pensavam nas mais diversas áreas. Digamos que eram os “puros”. Alguns, poucos, ainda andam por aí mas são uma “raça em vias de extinção” na maioria dos casos porque se desiludiram por completo com o rumo que os blogues tomaram. Como estive militantemente envolvido nisso tudo sei do que estou a falar. A grande maioria dos blogues, hoje em dia, não serve para mostrar criatividade nenhuma (com ou sem qualidade, não é isso que discuto), apenas serve como lugar de escape a vidas reais frustradas e sem sentido. Sabes a história da avestruz, não sabes? A coisa é mais ou menos a mesma. Aqui qualquer um pode ser aquilo que quer e despejar cá para fora tudo aquilo que nunca seria capaz na vida real. Aqui pode-se ter multiplas personalidades e atacar tudo e todos impunemente escondendo-se atrás desses “avatares” que se criam. E acredita que se soubesses, como eu sei, de muitos casos que para aí andam ias ficar espantado. Como diz o Andrew Keen “Os blogues (…) minaram o nosso sentido do que é verdadeiro e falso, do que é real ou imaginário.”. Desculpa discordar de ti mas se o blogueiro ou bloguista ou blogger ou lá o que raio é quiser nunca irás “facilmente identificar os beneficiários”. Estás errado também noutra coisa – há muitos blogues mas muitos mesmo que são lidos ou vistos diariamente por centenas quando não milhares de pessoas, há blogues que têm mais audiência que a maioria dos jornais que para aí se publica. Posso dar-te o meu exemplo no defunto Catedral em que tive dias com cerca de 4000 page views. Agora imagina muitos outros que há para aí que são bem mais conhecidos e visitados. Não sei se sabes quem é o Paulo Querido. “Conheço-o” desde os tempos em que não havia propriamente Internet cá em Portugal (ele estava na Rede por exemplo, era uma bbs) lá para os idos de 1993 ou 94. Aliás os utilizadores da net cabiam numa lista tipo telefónica, pequenina, que a Telepac editava. Há 2 ou 3 anos o Paulo Querido, que desde sempre conheci como um acérrimo defensor da liberdade total na net sem controlos de qualquer espécie, propôs para o Weblog de que era proprietário e onde eu tinha o Catedral, a criação de um provedor dos blogues. Discordei totalmente, tal como a grande maioria dos utlizadores, porque ainda acreditava na boa fé de quem por aqui anda. Hoje em dia concordaria sem reservas. Quanto aos conhecimentos que se adquire por aqui só te posso aconselhar uma coisa (sem paternalismos): cuidado com eles porque na maioria das vezes o que parece não é. E apenas uma correcção, não te conhecemos por aqui, foi na Ribeira com os Boémia. Só depois tive conhecimento do teu blogue. E isso marca toda a diferença.

    Porra, o testamento vai longo e muito mais teria para dizer mas isso ficará para uma conversa ao vivo e a cores contigo com um copito à frente… e depois de te ouvir cantar o “Inquietação”…

    Um grande abraço

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