Carta aberta ao cancro

  Andas aí à cata!
  Filho da puta! Da puta? Não…de puta.
  Havendo tantos como tu no mundo, só de ti poderia medrar e vingar
  essa sede de engordar essas hostes dos outros.
  Os outros são gente sã, pá!
  Gente que anda durante quarenta anos num vaivém de cacilheiro,
  combóio, autocarro ou outra qualquer carreira da vida que só dá por ti
  quando apareces.
  És tão inconveniente que apareces sem ser convidado.
  Inesperadamente. Não te convidei. Vieste! Logo hoje. No natal porra!!!
  Todos os dias que mal se festejam, são a alegria e soma final na consoada.
  Dia de estar com os meus, entendes?
  Afinal é natal.
  Mas tu, pé ante pé, covarde, sem aviso e zás!!! No presépio.
  É presépio ateu, já sabes. Mas é meu. Teu também.
  Quanto mais dos meus me vais tirando, mais eu, vê lá tu, vou
enriquecendo
  a memória.
  Um dia irás perguntar por mim a um qualquer dos meus trinetos que
também
  quererás levar.
  Dirá assim, está no presépio, sr.cancer. É pena eu ser tão novo para não
  poder
  mandá-lo para a puta que o pariu.

Mingo Rangel

~ by Dionisio Leitão on December 18, 2007.

One Response to “Carta aberta ao cancro”

  1. Muito bom!
    Gostei mesmo!
    Parabéns…

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